"A solidez e a firmeza da verdade de Cristo se enche de doçura da doação de um Deus que é só Amor!”
(Pe Marcos Chagas)

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domingo, 25 de agosto de 2013

Porta estreita: uma escola de vida plena

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Oi Filoteu!

No evangelho deste domingo, o Senhor fala sério e forte para seus discípulos e para quem quiser sê-lo. Quando alguém perguntou-lhe se é verdade que são poucos os que se salvam, a resposta foi esta:

Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão (Lc 13, 24).

Note-se que  a vida construída no esforço, no sacrifício, na disciplina pessoal, na capacidade de renúncia, na disposição em fazer o correto, em buscar o que é melhor e não o mais fácil, não ser refém de gostos, não viver sob a tirania do prazer a qualquer custo e sem valores, ser honesto ainda que se tenha que pagar o preço por isso, ser determinado em buscar uma vida ordenada e correta, bem, tudo isso e muito mais não é nenhuma coisa do outro mundo. Neste mundo mesmo é preciso entender que é caminho razoável, isso é compreensível do ponto de vista racional. Sem essa mobilização pelo bem ninguém progride, ninguém prospera (entenda-se de forma autêntica, duradoura, estável, produtiva). Só que Jesus aprofunda esse princípio do esforço, da dedicação, da disciplina pessoal na perspectiva da eternidade, da vida eterna. Não se pode viver a vida da graça sem acolhê-la como dom gratuito. Entretanto, sem as disposições para colaborar com essa graça generosamente concedida, gratuitamente ofertada, a processo fica pela metade.


O caminho de crescimento no seguimento de Jesus exige esse trabalhar sobre si mesmo. Mas, Nosso Senhor é realista. Ele não fala do esforço que um super-herói é capaz de empreender. Ele não pede que se use os poderes de um super dotado ou de um anjo. Ele fala de "todo esforço possível". Aí que entra o mais sincero, consciente e coerente esforço e lucidez, honestidade total consigo mesmo e com Deus para se descobrir, se conhecer e detectar as áreas frágeis e inconsistentes do próprio psiquismo para se trabalhar, se superar em vista de crescer, se purificar, viver a conversão tendo por meta a santidade. Entrar pela porta estreita significa não se contentar com o que se atingiu em termos de progresso. Se a pessoa não cessa de progredir ela regride. Quem não vai para frente, vai para trás. Não há como ficar parado no dinamismo da vida. É preciso ser pequeno e pobre para passar pela porta estreita. É preciso se apegar ao essencial e não se deixar condicionar ou conduzir pelo acessório. Trilha exigente, estrada desafiante esta, mas com certeza é meio seguro para ser feliz aqui e para sempre na eternidade.


Sabe Filoteu, a pessoa humana precisa de disciplina. Naturalmente queremos vida fácil, tendemos para o mais gostoso, para o que não dá trabalho e não exige. Entretanto, não é por aí que se chega aonde somos chamados a chegar. 

"Muito tentarão entrar e não conseguirão" (Lc 13, 24b). Por que será? Não sei! Talvez hajam muitas razões para isso. Mas, arrisco um palpite ou melhor, um questionamento: Será que fizeram todo esforço possível?

Termino com uma história:

Henry Kissinger foi secretário de estado dos Estados Unidos. Diz-se que certa feita, pediu à sua secretária que escrevesse um determinado documento. Logo que a dita secretária trouxe em um envelope o documento, Kissinger olhou-a nos olhos e perguntou:

- Você tem certeza que fez o melhor que pôde?

A moça foi meio desconcertada diante daquela indagação inesperada, ao que o secretário de estado indagou mais uma vez:

- Você tem certeza que fez o melhor que pôde?

Ela pegou de volta o envelope e disse que iria fazer.

Se Deus hoje perguntasse a mim e a ti:

- Você tem certeza que fez o melhor que pôde?

Qual seria a resposta?

Um abraço para ti, caro Filoteu. Fico rezando por você e por mim também para que sejamos livres e desapegados, pequenos e pobres, corajosos e decididos para passar pela porta que conduz à vida.



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sábado, 24 de agosto de 2013

Ser pessoa, ser existente: um ser presente nunca ausente, por essência consistente

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Oi Filoteu, oi pessoa, oi existente!

Ser pessoa é ser existente, um ser presente, nunca ausente, por essência consistente. Esse jogo de palavras jogam um papel de mostrar itinerário de uma compreensão ou tentativa de reflexão sobre algo tão importante no que somos. Somos pessoa. Existimos.

A existência da pessoa não é uma experiência para saber em que consiste a vida própria, dos outros, do mundo. Existir! É o que acontece conosco. Existimos. Que significa isso? Ek-sistere é uma palavra que significa lançar para frente, jogar adiante, vida lançada no mundo, na história. Veja só, Filoteu, não é uma realidade estática. Não somos um bando de estátuas ou meros adornos, enfeites ou pedras ou árvores: parados, passivos, apáticos. Não somos robôs ou bonequinhos saídos em série da fábrica, todos iguais (todos uniformes, sem diferenças). Dizia P. Grieger
“No coração desta vida, a vida real, tece pouco a pouco uma trama, saída juntamente da prova experimentada da nossa vida e da nossa reflexão sobre esta: esta trama sólida e móvel é, na sua forma mais individualizada e mais rica, a nossa consciência, nós mesmos. Esta é composta de recordações afetivas e intelectuais, e de normas: pouco a pouco se liberta um ideal de vida” 
Esta autoconstrução, feita como uma trama que pouco a pouco desperta a consciência de si, é dinâmica, é processo (não é realidade que se faz no estalar de dedos nem a toque de caixa ou repique de sino!). Tal dinamicidade de autocriação, de comunicação e de adesão faz emergir o movimento de personalização. Esta experiência é marcada significativamente pela liberdade porque não pode existir aqui a constrição nem o condicionamento. Porém, é um movimento que não se limita a um ser especifico. Este alguém, se já chegou um pouco mais acima neste movimento de personalização, convoca as demais pessoas que ainda estão adormentadas de maneira a despertar a humanidade inteira. Por isso mesmo, esta é uma tendência de toda a humanidade, a saber, a personalização, assim defendia Emmanuel Mounier, um ilustre filósofo do personalismo.

A pessoa é “alguém que não pode ser repetido duas vezes”, dizia Mounier e, tal unicidade fala da singularidade de um ser que não se repete. Por isso, defini-lo não é possível, pelo fato que o núcleo da pessoa mesma é o sujeito. O sujeito é aquilo que por natureza mesma se subtrai a qualquer definição. Quem pode dizer com precisão e exatidão quem é um alguém? Cada indivíduo é um ser singular, inconfundível e insubstituível (no sentido que ninguém fará como aquela pessoa faz pelo fato que é ela quem faz), sujeito único. Não creio que haja pessoas insubstituíveis! "Morre-se um papa, faz-se um outro" diz o ditado romano. O que não se pode fazer é comparar as pessoas ou achar que alguém é medida ou "modelo" para o outro, ou pior, "forma" para outro. O indivíduo é um mistério, uma complexa realidade, cheia de amplas riquezas e meandros, nuanças e peculiaridades. Para conhecê-lo precisaria encontrá-lo. Não obstante isso, Maritain insiste em conceituar a pessoa humana compreendendo-a como alguém que se possui por meio da inteligência e da vontade. Exatamente o que nos faz imagem e semelhança de Deus: a vontade e a inteligência. O homem é, em certo senso, um todo e não somente uma parte. Não somos uma soma de elementos ou partes, mas um todo unitário. O ser pessoa significa que o homem é, sobretudo um todo antes de ser um somatório de coisas; significa também que mais que servo ele é independente, assim pensava Jacques Maritain

Está em jogo o homem concreto, existente como pessoa quando diz “eu” e é consciente de não ser levado e, por conseguinte, se posiciona tão somente a partir da energia da vida que se afirma, ou se torna capaz de fazê-lo a partir de uma força superior. Porém, este mesmo homem, enquanto pessoa, é autorizado e obrigado a se posicionar por uma maneira de ser que lhe é particular. Tal maneira de ser persiste através de todas as diversas posições e situações e a sobreviver em meio a perturbações e a todas as deformações. Permanece uma verdade: a pessoa não se repete, também se o aspecto e os gestos dos homens recaindo sempre no genérico, se copiam recíproca e constantemente na superfície aparente. 



A existência singular da pessoa é composta e se constrói a partir de tantas respostas afirmativas, mas também negativas que se sucedem mutuamente. Conclui-se que a pessoa deve ser capaz de decidir como uma característica verdadeira e concreta da sua maturidade. Tal opção comporta a fidelidade e a consciência do seu valor. A decisão é a pessoa mesma, totalmente lançada no seu porvir (seu vir-a-ser, o que vem por aí, seu futuro, suas possibilidades de construção), engajada no ato fatigante e rico que reassume o seu passado com a carga de experiência que lhe é própria enriquecendo-a com uma nova chance de se construir que é o presente. Raízes profundas no passado, antenas sensíveis para o futuro é forma concreta para viver bem o agora, o presente compreendido como dádiva. Viver enquanto pessoa é dom e responsabilidade, a ser construída na liberdade. 

Então? Ser pessoa é assumir-se, construir-se. Claro, não de forma independente ou presunçosamente egoísta, mas de forma pessoal, algo que acontece nas escolhas feitas na trama da vida. Que seja assim em tua vida, Filoteu, pessoa!

Um abraço do padre. 



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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Uma grande rainha e um novo conceito de realeza

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Oi Filoteu!

   Hoje, a liturgia apresenta-nos Maria como rainha. Uma memória litúrgica instituída pelo papa Pio XII em 1955. 
    Bem, quando se pensa em realeza, logo vem à mente a nobreza, muita riqueza, esplendor, glamour e tanta badalação, palácios e fofocas a respeito dos príncipes e reis, rainhas e princesas, condes, duques e toda a corte de suas majestades. 
    Esta rainha de que falo, com certeza vive uma realeza muito diferente do que se entende como ser rei aos moldes das monarquias humanas. De fato, a realeza da Virgem de Nazaré brota da realeza e suprema soberania de seu Filho muito amado, Verbo eterno que é Deus com o Pai e o Espírito Santo. Bem, mais soberania que isso não há! Além do quê, penso muito ao tipo de realeza que Jesus viveu.
    Encarnou-se e, com certeza, isso já foi grande humilhação. Assumir nossa pobre e sofrida carne é algo impensável, admirável para um Deus. Nasceu pobre na gruta de Belém, viveu como estrangeiro no Egito para fugir da fúria do ímpio Herodes. Voltando para Israel, foi residir em Nazaré, lugarejo desprezível, insignificante, perdido no mapa. E lá, viveu como um pobre carpinteiro, ganhando o pão com o suor de seu rosto. Não me consta que Jesus em sua vida tenha feito milagres para tornar a própria vida mais fácil ou mais cômoda. Terminado este tempo, lá vai o Senhor para sua revelação pública, em meio às incompreensões ou durezas, lentidões de todo lado: dos discípulos, das lideranças religiosas, das multidões que nem sempre colaboravam e não raramente perturbavam, criavam obstáculos para que a obra de Deus se realizasse em Jesus. Na sua vida pública o Mestre divino não tinha onde reclinar a cabeça. Condenado à morte, viveu uma humilhante paixão culminando com a morte de cruz. Na cabeça, uma coroa de espinhos (eis a imagem ou visão que tinham desse rei). E morto, foi posto em um sepulcro emprestado. Eis o rei todo poderoso.

Sua mensagem nos remete a um conceito de pobreza, humildade, simplicidade extremas. Não se pode servir a Deus e ao dinheiro, não fazer o bem para aparecer mas viver o bem de forma oculta. No caso de fazer o bem para edificar os outros que seja para a glória de Deus. Os mansos, humildes e pobres, os promotores da fé, os puros e misericordiosos, os perseguidos por causa da justiça e do Reino, estes é que são felizes. No entanto, tem algo no rei que é fantástico e diretamente ligado ao reino: o serviço. O Grande Soberano disse que "o maior entre vós é aquele que serve". Isso aí! Não é aquele que manda ou aquele que controla, oprime ou se projeta, detendo o poder. É quem se coloca a serviço dos outros.

E a rainha, bem antes do rei ter ensinado tudo isso se autoproclamou "a serva do Senhor". Parece que já antecipou o que o rei pensava de sua realeza. Eis a soberana, a mãe e senhora.

Um abraço para ti, caro Filoteu de Betânia, membro da família real dos servos por amor. 
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domingo, 18 de agosto de 2013

Algumas pequenas lições da assunção de Maria.

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Caro Filoteu!

Hoje, celebra-se a solenidade da assunção da Virgem Maria. Ela, concebida sem pecado original, foi isenta da corrupção do sepulcro e assim sendo, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu. Assim é o dogma que hoje se recorda. Papa Pio XII foi quem proclamou como verdade de fé tal subida da Mãe de Deus para a glória.

"Uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés, coroada com doze estrelas". 

Um cenário que nos leva para o alto, lá onde devem estar os nossos corações. Assim o apocalipse fala de Maria ou da Igreja. A Missa, o celebrante que preside a liturgia fala para a assembleia em tom de diálogo:
- Corações ao alto!
e todos respondem a uma só voz:
- O nosso coração está em Deus.
Tomara que não sejam apenas palavras. Em todo caso, corações ao alto é sempre um fazer memória de coisas que vale à pena comentar. Coração na Bíblia, comentava o nosso caro papa emérito, Bento XVI: 
Coração não indica apenas uma parte do corpo, mas sim o âmago da pessoa, a sede de suas intenções e dos seus juízos. Poderíamos dizer: a consciência 
 O coração é a sede das decisões. Corações ao alto é uma expressão relacionada a alguém que se decidiu por Deus, pelo céu, pela felicidade que é a vontade de Deus, paraíso experimentado por antecipação. Claro, no céu, na bem-aventurança eterna, na felicidade sem fim, lá está tudo seguro e a alegria é ilimitada. Aqui, uma felicidade discreta, intensa com certeza, mas em meio às tentações, pecados (com o devido arrependimento, claro!), fraquezas, dores, tribulações e provações.  Ao invés de serem interpretados como meros obstáculos, podem ser assumidos como escadas para subir para o céu. Os desafios podem ser fontes de crescimento e não impedimentos para se atingir altas metas. Assim sendo, decidir-se pelo céu significa decidir-se pela vontade de Deus. Simplesmente assim, sem complicações. E para quem saiu dos trilhos, perdeu o rumo, desarrumou o prumo, desviou da rota, ah, o segredo é só um: retomar, retornar, pegar o primeiro retorno. Não tem outro caminho a não ser seguir o caminho. Não um dos caminhos, mas o caminho. Santo Agostinho, em seu célebre sermão sobre a ascensão do Senhor diz ao seu povo:
"Cristo subiu ao céu, suba com Ele o nosso coração".
Parafraseando, isto é, usando das palavras dele (de Santo Agostinho), aplicando-as para o que se celebra hoje poderíamos até arriscar dizer: 

"Maria subiu ao céu, suba com Ela o nosso coração". 


Pois é, lá onde está a mãe, para lá seguem os filhos. E os filhos, ao se assemelharem à sua mãe, trazem o DNA dela, sentem uma maravilhosa certeza de serem particularmente amados, protegidos, assistidos, motivados por Ela. E lá se foi Maria! Para o céu! Mas, coisa boa é um artigo de fé que está no credo católico que reza nossa crença na "comunhão dos santos". Beleza pura sem mistura! Isso mesmo, estamos unidos. Os católicos que estão por cá pelejando nesta terra, tentando construir o Reino, além disso tem os irmãos e irmãs que estão se purificando de suas faltas na expectativa da felicidade eterna e os que já contemplam a Deus face-a-face. Entre estes últimos, está nossa Mãe Virgem Maria (Jesus no-la deu por mãe quando disse a João: "Eis aí tua mãe"). Dá tanta esperança pensar nisso! E dá mais alegria e ânimo viver nesta esperança, ou seja quando a esperança não é algo passivo, apático, desenergizado! Ao contrário, experimenta-se uma esperança viva ou seja, uma alegre expectativa, uma certeza que nos leva a trabalhar, a tentar mudar as coisas para melhor, a construir algo, a fazer a diferença, ser sal para dar gosto, ser luz para iluminar, ser cristão para cristificar. 



Hoje, a assunção de Maria recorda e compromete. Corações ao alto e os pés no chão! Gosto deste trocadilho. A lembrança do céu, longe de ser fuga da terra ou do mundo, é compromisso em ser agente de transformação. Jesus disse: "Vós sois o sal da terra, a luz do mundo". O sal não foi feito para ficar guardado no armário, na dispensa. A luz muito menos para ficar debaixo da mesa ou das cadeiras. Do mundo, diz o Senhor! Ao mesmo tempo, sabemos que nossa pátria definitiva não é esta. Por isso mesmo, estamos de passagem, somos peregrinos, caminheiros na esperança de um definitivo que não se contenta com o provisório e o passageiro, o temporal não pode dar o que o eterno tem em plenitude. Vivemos nesta sadia tensão entre o já e o não ainda. Engajados na terra, cidadãos do paraíso. Os dois não se contradizem! A moeda tem duas faces, o rio tem duas margens. Simples assim. 


Uma palavra final sobre o Magnificat, o canto de Maria que é uma celebração feliz de uma mulher realizada, plenificada naquilo que Deus faz nela, por ele e através dela. A personalidade forte e intensa desta filha de Sião emerge com vitalidade: 

"Todas as gerações me chamarão de bem aventurada pois o Todo Poderoso fez por mim maravilhas" 

Aí temos a síntese da sabedoria refinada de uma pessoa guiada pela verdade sobre Deus que Si revela Quem Ele é e também revela a pessoa é. A Virgem tem uma excelente auto-estima. Sabe que tudo foi dado. Exatamente por ser administradora dos dons do seu amado Senhor (e não proprietária), nem por isso ela deixa de reconhecer que as pessoas reconhecerão o que de bom, de maravilhoso fez o Altíssimo em seu favor. E Ela mesma reconhece, com toda liberdade que a verdade lhe permite! Isso faz lembrar aquilo que Jesus diz no evangelho de Mateus (cap. 5):

"Vós sois a luz do mundo, brilhe a vossa luz diante dos homens para que vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus"

À luz desta passagem, não fico impressionado com tanta luz que reveste Maria no apocalipse. A mulher vestida de sol é na verdade a mulher que encarnou na vida a sua missão de ser luz do mundo, não por substituição Daquele que é Luz do mundo e que o segue não andará nas trevas mas terá a luz da vida, mas por participação. Ela, como os demais participam da Luz que é Jesus. Mas, convenhamos: Ela é bem especial mesmo! A luz dela é bem particular. Isso não a afasta de nós! Muito pelo contrário: nos leva a subir, a assumir nosso papel de iluminar e afugentar as trevas que sempre existe dentro de nossa pobre condição de pecadores em processo de conversão.

A Virgem Maria subiu para o céu! Suba com ela o nosso coração.
Que ela rogue por nós, caro Filoteu de Betânia e lá onde ela está, tenhamos a felicidade de estar também estes que a Ela se recomendam.
Um abraço! Lembra-te:
Sob o olhar de Maria, teus dias serão cheios de alegria.



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sábado, 3 de agosto de 2013

Ser rico é bom. Mas o que é ser rico diante de Deus?

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Caro Filoteu

Diante de um  alguém, que na multidão pede a Jesus para ser árbitro na divisão de uma herança (ver Lc 12, 15), a resposta do Senhor surge inesperada e surpreendente:

Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens? (Lc 12, 14).

Por que será que Jesus se nega a ser mediador na contenda? Ao invés de resolver um caso particular, Nosso Senhor vai à raiz do problema (aliás, uma maneira bastante concreta para encontrar a solução dele). E vem uma indicação preciosa:

Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens" (Lc 12, 15).

Palavras precisas, importantes, essenciais. Uma grande fonte de males, males sem fim, é a ganância pelos bens materiais, a vontade de acumular coisas. Os bens deste mundo não pertencem ao homem, mas a Deus que os destinou para todos e não só para alguns espertos ou competentes em juntar dinheiro. Quem acumula só para si inverte o plano do Criador. Acumular então é roubar, é administrar mal, porque, no fundo não somos proprietários, mas administradores. No dia da morte, devolveremos tudo ao proprietário legítimo. Nada temos, nada somos. Paulo faz um alerta importante a respeito disso:

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores (1Tm 6, 10).

 O que temos, apenas recebemos e cuidamos para um dia devolver ao verdadeiro senhor das coisas. O apóstolo afirma com muita propriedade:

Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E se recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido. (1Cor 4, 7).

As coisas, os bens são meios para fazer o bem, assim pensa Deus, assim quer Deus. Quem não assumir esta mentalidade fará destes bens o seu deus, seu miserável e traiçoeiro deus que o deixará, nem que seja na hora da morte, sem nada!

Entenda-se: Jesus não despreza os bens materiais, mas se opõe à dependência dos bens. O rico avarento a que se refere o Evangelho não é um desonesto, nem ladrão. É um trabalhador esforçado, previdente, consegue até ótimos resultados em seu esforço para produzir. E tudo isso, é bênção de Deus! Então, onde está a maldição? Vamos ao texto. Quando, por ocasião de uma grande colheita, o homem se deu bem, pensou consigo:

Vou derrubar os meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. então, poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, como, bebe, aproveita! (Lc 12, 18-19).

Talvez poderíamos questionar: Mas, este homem não tem família, mulher, filhos, vizinhos, nem amigos e empregados? Provavelmente sim, mas não tem tempo para eles, não tem energias para empregar em favor delas, não se ocupa nem se preocupa com as pessoas, não tem sentimentos e por isso não vive o mundo da relação que gera comunhão. Só lhe interessa os que farão seus negócios prosperar. Seu pensamento gira em torno dos armazéns, das colheitas e dos cereais. Seus bens tornaram-se os seus ídolos e estes ídoloso destruíram tudo o que encontraram pela frente. Criaram um vazio ao redor dele, desumanizaram o coração completamente. o dito epulão tornou-se uma coisa, uma máquina que produz, faz contas. Para ele, "eu" e "meu" são pronomes frequentes, ou melhor, exclusivos, únicos. O "nosso", o "vosso", o "nós", o "tu", parece que não existem. 



É sempre bom lembrar: o dinheiro é ótimo servo e péssimo patrão! Para a eternidade, só se leva o que se partilha, o que se investe para o bem de todos, não o que se acumula para si. Morrer, tendo na conta uma conta muito gorda, sendo proprietário de muitos bens pode acarretar diante de Deus
um juízo severo e exigente. O Deus Trindade que se revela em Jesus é um Deus comunhão, é um Deus que partilha tudo conosco e quer ver isso acontecer entre nós também. Cedo ou tarde chegará esse dia em que o sol deixará de brilhar, ou seja, a nossa vida encontrará o seu crepúsculo, o seu ocaso, estaremos diante do nosso entardecer, terminará a nossa peregrinação terrestre. "Ainda esta noite, pedirão conta da tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?" (Lc 12, 20). A história é sempre a mesma! Deixa os bens para os herdeiros que irão brigar pela herança!!!! Nem depois de morto, o avarento sossega ou acaba o desassossego de ter acumulado bens!




"Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. Por exemplo, um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça" (Ecl 1, 2.2, 21)

Vaidade! Isto é, vazio, fumaça que cedo ou tarde será dispersada pelo vento. Tudo passa, todos passarão. Vaidade, com certeza! Mas, quem partilha a vida, os bens e ama de verdade e concretamente, vive a comunhão e a partilha, celebra a vida e se alegra com o que Deus dá e o que Deus tira, naquela visão de fé e confiança própria de quem é filho, quem a nada se apega, mas a tudo dá o valor que lhe for devido, este não passará, este não vive na vaidade, mas na verdade e por isso, não perecerá, viverá eternidade a dentro. Por isso, com o salmista rogaremos ao Senhor:

Ensinai-nos a contar os nossos dias e dai ao nosso coração sabedoria [Sl 89(90)]

Um abraço para ti, caro Filoteu!
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terça-feira, 30 de julho de 2013

Papa Francisco, Santa Marta e a "cultura do encontro"

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Caro Filoteu de Betânia




Terminada a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), tendo eu a feliz graça de ter dela participado, pensando também em um dos ícones deste blog (Santa Marta de Betânia), pensei bastante em escrever hoje, lembrado das palavras do papa Francisco.

Marta, uma das irmãs da casa de Betânia, nome que quer dizer "casa da amizade", é uma mulher da ação, do serviço, do encontro e da fé. Ontem, segunda-feira, celebrávamos na liturgia a memória dela. Especificamente para ela, Jesus se declara "a ressurreição e a vida". Assim sendo, quem crê nele mesmo que morra viverá e, todo o que vive e crê nele não morrerá jamais (ver Jo 11, 25s). Após ter dito isso, o Salvador pergunta-lhe: "Crês isto?" (vers. 26). Quem afirmava tais coisas era um amigo muito especial. Quem abria a boca para declarar palavras tão densas de vida eterna era a Palavra Eterna encarnada, o próprio Filho de Deus, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus com o Pai e o Espírito Santo. Que felicidade era a de Marta, a de Maria, a de Lázaro. Que lugar abençoado, que paraíso antecipado tornou-se Betânia, a casa da amizade! O amigo de que estamos tratando mais que fiel é a própria Fidelidade, o Senhor a que nos referimos é o Onipotente, Aquele que ama na relação de amizade é a própria caridade! Marta sente-se envolvida de tal forma por Jesus em seus atributos tão sublimes e inefáveis que declara estasiada de forma solene a sua fé:

"Sim Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir ao mundo" (Jo 11, 27).

Marta é a mulher do encontro, do serviço, da acolhida, da hospitalidade. Claro, se houve deslise da parte dela por ter trabalhado tanto para alimentar o Senhor, o problema não estava, creio eu, no fato de ela estar trabalhando. O "x" da questão era que Marta focou o trabalho e perdeu de vista o Senhor, ainda que sua intenção tenha sido das mais nobres. Pois é, caro Filoteu, a Filoteia Marta se distraiu de Jesus e começou a gravitar, orbitar em torno do trabalho. Fez do serviço um fim em si mesmo! Quando o trabalho que fazemos, por mais que seja evangelizador e altamente missionário, não estiver em função de Jesus, para Ele, nele e com Ele, acaba tornando-se um barulho, uma distração, um mero passa-tempo, vindo até mesmo a ser uma orquestração de vanglória, de vaidade, de autoafirmação, necessidade de se projetar ou algo do gênero. Por isso,  Marta, quando ao reclamar que sua irmão Maria gastava o tempo sentada a escutá-lo, ouve esta repreensão:

Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária: Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada (Lc 10, 41-42).

Que podemos então aprender destas palavras? que se deve "parar" diante de Jesus, a seus pés e "nada" mais fazer? Que o apostolado não deve ser realizado ou que é coisa de segunda categoria no plano espiritual? Nada disso! Repito: o erro de Marta não é que ela estava trabalhando, mas porque se distraiu do Senhor Jesus! Estava preocupada, ao invés de estar ocupada com as coisas do Senhor. Em Lc 2, 49, o adolescente divino afirma para seu pai e sua mãe, aquelas palavras desconcertantes: "Não sabíeis que devo ocupar-me com as coisas de meu Pai?" Mais adiante, Jesus mesmo chamará os seus discípulos de sal da terra e luz do mundo (ver Jo 5, 13-14). Ser sal, ser luz dá ideia de dinamismo, de força de ação e de mudança. Em um envio missionário, o divino Redentor faz um convite a trabalhar na sua vinha gente de todo tipo, com as mais variadas características, capacidades, habilidades, talentos e pessoas das mais variadas idades, culturas e sensibilidades. Assim é que Nosso Senhor faz o convite às pessoas: "Ide também vós trabalhar na minha vinha" (Mt 20, 4). Ao se proclamar a videira verdadeira, Jesus convida seus discípulos a se unirem a Ele para que produzam frutos, ou seja para que suas obras sejam marcadas pela graça, pela ação de seu Espírito Santo, seja o próprio Cristo agindo na vida e através da vida dos seus seguidores a que Ele, por pura misericórdia chama de "amigos" e não mais de servos!!!!! (ver Jo 15,  15). O segredo é permanecer nele, em Cristo Jesus, sem desanimar, numa busca contínua desta união de amor, nesta íntima comunhão, com nossos corações pulsando no compasso do divino coração do Cordeiro de Deus: "Permanecei em mim e eu em vós" (Jo 15, 4). Os frutos, a que se refere Jesus, são exatamente as obras, as ações, os comportamentos, as atitudes, o tudo realizar na perspectiva do Reino, no cumprimento da vontade de Deus, na busca de uma radicalidade evangélica que vá inserindo o indivíduo no lado aberto do divino Esposo ao ponto de lá estabelecer a sua morada. Eis a glória de Deus! De fato, ouvimos o que glorifica à Trindade não são bonitas palavras tão somente, nem meros sentimentos e ainda menos o "eficientismo", o "competentismo", um mero "empreendedorismo" vazio de mística, desprovido de espiritualidade! Diz Jesus:
Nisto será glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim vos demonstrareis meus discípulos" (Jo 15, 8).
Trabalhar tanto nas coisas do Senhor e se esquecer do Senhor das obras não é um bom negócio! Não trabalhar nas obras do Senhor (ou seja, aquelas que o Senhor nos confia) é omissão que gera esterilidade apostólica e fragilização na missão. 

Nestes dias em que tomei parte da JMJ, vivi dias maravilhosos, com toda aquele pacote de desafios próprios de uma jornada. Mas, sem me deter neles, nem mesmo me referir a eles, prefiro focar nas graças e na mensagem que nos veio de Deus através do vigário de Cristo na terra, o atual sucessor de Pedro, o papa Francisco. Estive
na catedral do Rio de Janeiro e tomei nota, para não esquecer da mensagem por ele transmitida aos presentes, a saber, os bispos, um grande número de sacerdotes, religiosos e religiosas. O papa dizia que fomos chamados por Deus para permanecer com Jesus e construir assim uma cultura do encontro. Para tanto, é preciso escutar e contemplar o Senhor, abraçá-lo também nas pessoas necessitadas. Fomos chamados a enraizar o coração em Cristo porque fomos chamados a anunciar o evangelho e ser missionários lá onde Deus nos quer! É preciso gastar tempo com os jovens,, educar, ajudando-os a acolher o dom da fé, sem se instalar. É preciso abrir a porta para sair e partir para um encontro com o outro e tantos outros que precisam, que aguardam na sua solidão ou ausência de sentido de vida! É preciso ir ao encontro das periferias existenciais do homem e da mulher do nosso tempo: buscar e encontrar, prestando atenção aos crucificados vivos. É preciso promover a cultura do encontro, em contraposição à cultura do descartável, ir contra a cultura eficientista. Daí a necessidade de cultivar ao máximo a comunhão, sermos cada um de nós, construtores da cultura do encontro, somos chamados a isso, tendo Maria como modelo.

Bem, foi isso que vi em tantas pessoas! Lá no Rio de Janeiro, lá em São Paulo e lá em Belo Horizonte, lugares onde estive encontrei gente assim: disposta a amar, a acolher, a viver a cultura do encontro, a alegria de ser irmão, a felicidade de ser de Deus, vivendo a profecia da ressurreição, semeando alegria onde há tristeza ou lá onde a alegria falsa do pecado engana e ilude a tantos homens e mulheres, especialmente os jovens. Que o Senhor não deixe incompleta a sua obra começada e que nossas fraquezas ou limites não nos impeçam de viver esta "revolução" de que tanto fala o Sumo Pontífice. Assim, só assim, a Igreja será uma grande Betânia para o mundo, lugar da hospitalidade, da acolhida, do encontro. Será o lugar e o sacramento onde vivem e se alimentam de amor os Filoteus de todas as raças, culturas e povos, línguas e etnias.

Um abraço para ti, caro filoteu de Betânia.  



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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pensamentos soltos e positivos, nada de novo, mas novidade para quem quiser se renovar

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Oi Filoteu

Lanço estes pensamentos para ti. Não quero colocar coisas já batidas, mas já conhecidas. É só um lembrete que não tem a presunção de ser a descoberta da América, nem da luz elétrica. 

Pensar positivo, pensar bem, olhar para vida com esperança. Parece aqueles velhos chavões, coisas requentadas tiradas de livro de auto-ajuda. Mas, há uma lógica e bom senso nisso. Independente do que dizem para vender livros ou atrair a atenção de leitores. O interessante mesmo é que estar bem, transmitir alegria e otimismo, esperança e olhar com esperança para o futuro, isso faz bem aos outros e volta para a pessoa transmissora de tudo isso. 

Quem não pensa assim, acaba azedando, calculando sempre, medindo, contando, verificando cada falha e pensando que vai dar errado ou não vai dar certo. Ter medo de investir ou de fazer algo sob a cisma que vai dar errado lança o indivíduo numa "deprê" tão grande que tal fulano acaba fazendo nada. E quem não faz nada erra sempre, não acerta nunca, porque simplesmente nada faz, ou, não faz nada!

Errar por tentar acertar, errar porque faz algo e tenta conseguir resultados e criar condições para que algo de novo aconteça, eis o segredo para que tudo saia bem. Os erros ensinam ou podem ensinar: depende se quem erra está querendo aprender e lógico, acertar!!!!

Sim, acho que é preciso. O que? Aprender a sentir prazer com as pequenas coisas da vida, enxergar oportunidades nos desafios, colher aprendizagem em cada erro ou tropeço, fazer do sofrimento uma escola e um fortalecimento interior, partilhar sempre, caminhar com os outros, entender e assumir que nossa vocação é ser dom, dádiva, somos um presente no momento presente para nós mesmos e também para os outros. Somos um presente para Deus! Daí que, não cabe viver sempre no medo de investir a vida partilhando-a, fazendo-a render. Curioso isso: a vida se ganha, dando-a, gastando-a. Claro, em coisas que edificam, constroem, salvam, libertam, geram vida, comunhão.

Ser realista, no entanto, é sempre muito bom. Alias, é fundamental, pois ser idealista não quer dizer viver como Alice no país das maravilhas, no mundo dos sonhos, das quimeras, das fantasias idealizantes, anuviantes. Pé no chão, sem deixar de viver para cima, para o alto, sem medo do para sempre e suas eternas exigências de sempre mais. É o dinamismo da vida, sua riqueza e sua razão de ser: ser movimento, sempre movimento, ser páscoa, passagem, caminhada. Isso é viver.

Um abraço para ti, Filoteu. 


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