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(Pe Marcos Chagas)

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Tomé encontrou a fé!

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Dois episódios giram em torno do mesmo tema. São ecos fiéis do que

aconteceu com o coração dos discípulos após a morte de Jesus.
No primeiro episódio (vv. 19-22), o Ressuscitado aparece aos onze, que, apesar do anúncio de Maria Madalena (v. 18), estão ainda fechados no cenáculo por medo dos judeus. E aí, Filoteu, quais os teus medos? É preciso dar nome aos medos que sentes, é preciso lançá-los diante do Ressuscitado que, durante a sua paixão viveu a experiência do medo, mas em sua fidelidade radical e incondicional ao Pai, venceu o medo, bebeu até a última gota o cálice de sofrimento que lhe fora dado e, ressuscitado dentre os mortos, vive glorioso.
Se os discípulos estão fechados por medo dos judeus, Jesus vence todas as barreiras que lhe aparecem ou que são postas. As barreiras das fraquezas humanas, de todo tipo e de toda intensidade. O Vencedor da morte passa pelas portas, manifestando sua condição totalmente nova, permanecendo homem, sem nunca ter deixado de ser Deus. João se refere constantemente ao lado aberto, traspassado do Mestre tão amado para indicar que em Cristo se cumpriram as profecias (Ez 47,1; Zc 12,10.14). A tradicional saudação de paz assume sobre seus lábios um sentido novo: um augúrio, ou seja, um voto, um desejo forte transmitido de paz. “A paz esteja convosco”. A paz de augúrio se transforma em presença: a paz está conosco. A paz, dom messiânico por excelência que inclui todo bem, é portanto, uma pessoa. É o Senhor ressuscitado que passou pela cruz, presente em meio aos seus. Ora, ao vê-lo, os discípulos se enchem de alegria e são confirmados na fé. O Espírito de Cristo Jesus, soprado sobre eles, princípio de uma nova criação (ver Gn 2,7), confere aos apóstolos uma missão que prolonga a sua, no tempo e no espaço, e faz-lhes participantes do poder divino de perdoar pecados.
Em um segundo quadro (vv. 24-29), personaliza Tomé com suas dúvidas e seu

ceticismo. Com efeito, Tomé viu as dores do Mestre e agora rejeita crer a uma realidade que não seja palpável, observável com os sentidos. Do sofrimento ele foi testemunha, mas da ressurreição ele quer provas, sinais visíveis. O Senhor vai ao encontro desta pretensão do discípulo (v. 27) uma vez que é necessário que o grupo dos apóstolos tire também proveito dessa riqueza de experiência que Tomé viverá e que os outros testemunharão. Afinal, o anúncio da ressurreição o requer! A cena é comovente e rica em significados. Enquanto Tomé toca as chagas de Cristo, Cristo toca as chagas de Tomé e as cura. “Por suas chagas, fomos curados” (Is 53, 5) disse o profeta Isaías. Tomé recebe o choque da ressurreição, recebe uma voltagem de vida, do tamanho do infinito, que o faz curvar a cabeça e o coração diante daquele mistério maravilhoso, lindo, surpreendente, envolvente, uma bomba cujos estilhaços se espalharão até os confins da terra e até o fim do mundo! Caramba! Nada menos que isso, caro Filoteu! E o que diz ele? “Meu Senhor e meu Deus” (v. 28). João coloca nos lábios do ex-descrente uma profissão de fé enorme: ele chama o Ressuscitado com os nomes bíblicos dirigidos só a Deus: Yahweh e Elohim. O possessivo “meu” indica a sua plena adesão de amor e de fé a Jesus. A desconfiança de Tomé arrancou de Jesus, mais uma bem-aventurança: diz respeito a todos aqueles que, mesmo sem terem visto, acreditaram no Senhor. Essa é pra nós, Filoteu! Essa é pra quem não convive mais com o Senhor ressuscitado, ou seja, a esmagadora maioria dos cristãos. A visão não é necessária, podes crer! O que importa é a fé! Recorda-te dos discípulos de Emaús? No melhor da festa, ou seja, quando eles reconheceram o Ressuscitado ao partir o pão, ele “pluft”, desaparece! Por que? Ora, eles deverão encontrar Jesus na comunidade, lá no meio dos discípulos e não em meio a visões. Ora, isso não quer dizer que as visões sejam más! Antes! Se vierem de Deus são graças místicas particulares, maravilhosas, fonte de tanta santificação e intimidade com a Trindade Santíssima! Mas, isso também comporta grandes responsabilidades! É bom lembrar. Um dia volto a esse assunto. Se aprouver a Deus conceder tal graça a alguém, com certeza, será de grande proveito. Mas, não nos cabe a ninguém querê-las! É no mínimo uma presunção insuportável! Ninguém se sinta merecedor, nem à altura de tais dons. Acolha-os se Deus dignar-se concedê-las, mas sirva ao Senhor com humildade e desprendimento total. Além disso, diz o autor da carta ao Hebreus: “Sem fé, é impossível agradar a Deus” (Hb 11, 6). A inatacável autoridade de São João da Cruz, na sua grande obra “Subida ao Monte Carmelo” nos ilumina bastante:

“Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra – e não tem outra – Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única e já nada tem para dizer [...]. Porque, o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho. E para isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d’Ele outra realidade ou novidade”.

É preciso insistir: a visão leva Tomé à fé, mas da boca do

Senhor saiu essa declaração: “Bem-aventurados os que não viram e, contudo creram”. Felizes os que acreditarem nas palavras das testemunhas e, sem a pretensão de ver. Eles experimentarão a graça de uma fé nua, pura, que faz o coração exultar de alegria indescritível e gloriosa (ver 1Pd 1,8).
Desejo-te, caro Filoteu uma vida de fé! Uma fé robusta que se lança na escuridão dessa vida, somente com essa lamparina ou com os óculos 3D da fé. E com essa fé, vai, vai e segue em frente, sem olhar para trás. Não queiras ver o que deves enxergar somente no céu. Que o Senhor te sustente nessa caminhada.
Um abraço e bênção.
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domingo, 4 de julho de 2010

Um encontro "eletrocutante".

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Um encontro eletocutante. No dicionário Aurélio, eletrocutar significa: Proceder à execução de (um condenado) em cadeira elétrica. Vixe! Então, como é que se pode falar que o encontro de Tomé com Jesus foi com uma voltagem tão doida? Moisés, o fundador do Shalom, fala muito do choque da ressurreição. Falar de eletrocutagem não é exagero? Você sabe, não é Filoteu, o que aconteceu? A história de Tomé é bem conhecida (leia Jo 20, 24-29). Os discípulos encontraram o ressuscitado e o nosso amigo lá não estava e quando reencontrou os companheiros, ao ouvir a narração que o Mestre estava vivo e que eles o viram, então a ducha de água fria veio com força: Ele queria provas, queria tocar, ver pra crer. Já ouviu falar do teste de São Tomé? Pois é!

Eis o homem descrente, o homem onde a fé (este salto no escuro) parecia de verdade inoperante. E era inoperante, convém dizer. É isso, caro Filoteu, conviver com luz de lamparina algumas vezes e tantas vezes é fogo! Ou melhor é com pouco fogo e pouca luz. (A lamparina acesa por uma bruxuleante luz, vendo com pouca visibilidade era imagem da fé; o céu, com a visão do rosto de Deus, a chamada visão beatífica, era como se o sol viesse e iluminasse a casa e então, a lamparina seria apagada). Haja Zé! ou melhor haja Deus dando-nos o dom! Voltemos pro nosso herói. Lá estava ele, com eles e Ele (o Mestre ressuscitado) aparece. Convida o descrente a checar a verdade luminosamente presente naquelas chagas benditas e o discípulo desconfiado cai por terra e faz sua profissão de fé. São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja que viveu no VI século diz: "A clemência do alto agiu de modo amirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição". Viu? Deus de tudo tira proveito para o nosso bem. Por isso, eu digo que foi uma elotrocutagem porque aquele toque foi uma verdadeira cadeira elétrica para matar o descrente para daquele fumaceiro estorricador viesse à tona um homem de fé. Tomé tornou-se outro. Chagas benditas aquelas do Divino Salvador! Nós não as tocaremos com as mãos do nosso corpo, mas com os dedos da fé. De fato, dessa incredulidade, misteriosamente útil para nós, fez de nós alvo de uma bem-aventurança arrancada de última hora, uma beatitude meio rapa do tacho, mas fantástica! "Bem-aventurados os que creram sem ter visto" (Jo 20, 29). Essa é pra ti, pra mim, pra nós. Tem gente que adoraria ver Jesus, abraçá-lo, falar com ele, tocá-lo. Mas se essas pessoas imaginassem a beleza e a riqueza que está por detrás de viver aqui sem ver! E esperar pra ver só no Céu! Bem, se Jesus acha por bem conceder visões ou graças místicas pra algumas pessoas, isso é outro departamento. É gratuidade dos dons que Deus concede a quem ele quer, quando e Ele quer e por razões que só Ele sabe. E brá! zé fini! fechou a questão, fechou a rosca e não cabe a ninguém achar ou desachar nada. Quanto a ti, caro Filoteu, vive na presença de Deus como se o visses. E fica em paz. Ainda São Gregório diz que "quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa". Olha aí o desafio e a beleza! Beleza né? É isso aí! Não fique olhando só a dificuldade, mas vê também a beleza que está por detrás de tudo isso. Beleza pura!
Ei, você sabe o que é beleza? Por aí se entende somente como beleza estética. Mas, Platão, um filósofo grego, dizia que a "beleza é o esplendor da verdade". Quando a verdade espande seus raios luminosos, então isso é a beleza. Peeense!
Taí Filoteu, a lição que nos vem do nosso amigo Tomé, o homem que recuperou a fé!
Abraço! Bênção! Fui!
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